terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

INVISIBILIDADE PROFISSIONAL

Numa sociedade em que a hierarquia social também é presente no ambiente de trabalho, nota-se que diversos profissionais que contribuem para a manutenção do nosso sistema são simplesmente ignorados e tratados como invisíveis. 

Esse Outro é negado por exercer funções que exigem baixo grau de complexidade/escolaridade e que pessoas das camadas mais altas da sociedade não executariam.

Profissões como gari, zelador, garçom, faxineiro, zelador, porteiro, motorista e cobrador de ônibus, frentistas etc. são exemplos básicos de profissionais presentes no nosso cotidiano que são facilmente ignorados pelas pessoas e que muitas vezes a única característica notada neles é o uniforme vestido.
Baseado nesse contexto, o designer Murilo Bispo criou um trabalho chamado "Persona Invisible" em que ele retrata a forma como alguns profissionais são tratados por grande parte de nossa sociedade.
Segue o link do trabalho:
https://www.behance.net/gallery/Persona-Invisible/8875431

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

“Respeitem Meus Cabelos, Brancos”



A música: “Respeitem Meus Cabelos, Brancos” do cantor e compositor paraibano Chico César, que através da sua música apresenta um discurso forte de fortalecimento da cultura visual e da identidade cultural dos negros. Ao utilizar uma vírgula para separar as palavras cabelo e branco no título da música, Chico Cesar recria uma expressão bastante conhecida no Brasil e demostra uma outra condução interpretativa a expressão, que remete a valorização da cultura afro no Brasil e da luta contra o racismo.
A música tem um “teor” de denuncia, com uma fala político-musical, apresentando atitudes de fortalecimento da identidade visual negra como “pixaim”, assumindo um discurso contra o racismo e de incentivo a atitudes por partes dos brancos em respeito a cultura negra.
"A construção da identidade negra está associada a usos específicos do corpo (negro), e isso a distingue da maioria das outras identidades étnicas. Por um lado, a aparência ‘negra’ e a exibição de gestualidade ‘negra’ têm sido associados a certos comportamentos, empregos e posições sociais. Por outro lado, a aparência física, o porte e os gestos também têm sido o meio pelo qual os negros, como população racializada, reconhecem a si mesmos e, na tentativa de reverter o estigma associado à negritude, tentam adquirir status e recuperar dignidade". (Sansone, 2007, p. 24).
Ao cantar sobre os cabelos, um elemento importante de diferença étnico-racial, o autor da canção apresenta os cabelos como um elemento de valorização da cultura negra, geralmente associado como cabelo "ruim", os cabelos dos negros é um componente que faz parte da estética e se apresenta como uma afirmação da identidade visual e comportamental como uma forma de resistência ao racismo.

Esse tipo de manifestação utilizando a música como discurso promove e preserva a identidade cultural resultante da influência da  raça negra na construção da sociedade brasileira, de maneira a incentivar e  potencializar a participação do negro no processo de desenvolvimento, a partir de sua história e sua cultura.

" A felicidade do negro é uma felicidade guerreira" 
Wally Salomão

Maria Amanda 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Inovação e Articulação


Quando se fala em inovação a primeira coisa que pensamos é na analogia de ressignificar alguma coisa, ou algo que para nós já tenha algum papel ou valor social. Mas não necessariamente a inovação está ligada ao processo de ressignificar, podendo ter uma relação de auto-afirmação, ou simplificação do que já existe por meio de observação do espaço e das relações estabelecidas por práticas sociais.

Para inovar podemos usar da articulação como meio de organizar parte de um processo de desenvolvimento da prática da inovação, visto que “Articular significa: preservando aquilo que faz com que algo seja ele mesmo, encontrar, toda via o modo de apreendê-lo com o outro, de maneira que o lugar da diferença não faça desaparecer a identidade... Nos permite entender a mudança, e a aparência, além da identidade e da realidade. Podemos assim nos situar na multiplicidade das imagens sem perder de vista a unidade da realidade em si mesma.” SILVA, Frank  Leopoldo e. O Outro.

Na compreensão do outro, e das suas relações por meio de articulação, se encontra uma maneira e/ou inspiração para praticar a inovação de forma incremental (melhorando) ou disruptiva (resignificando) algo, dando um novo valor por meio da compreensão dessa interação da marca com o meio, que chamamos de inovação.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A CORRELAÇÃO DA INTERSUBJETIVIDADE NA ALTERIDADE

A questão de Alteridade, ou seja, a relação/interação social entre o Eu e o Outro, é um assunto recorrente que vem sido discutido desde a antiguidade.
Se partimos da idéia que  o sujeito é uma contínua construção que depende, sempre e ao mesmo tempo, dele e dos outros; por isso ele é sempre outro, puro processo, e nunca algo consolidado (Silva, 2012), podemos observar que isso gerará uma crise na subjetividade prizatizada do próprio indivíduo.  O ideal de plena liberdade e individualidade que constituira o indivíduo, não passa de mera ilusão. A partir de agora, a experiência subjetiva do indivíduo será vista como intersubjetiva, pois a maneira como eu interajo e me relaciono com o outro que mostrará o que eu serei.
Emmanuel Lévinas diz que “o outro está sempre diante de mim, e essa presença é tão forte que me constitui. O outro está antes do Eu. A liberdade do Eu então, ocorrerá da responsabilidade de suas ações para com o outro, ou seja, deve-se verificar se suas atitudes correspondem às necessidades de outrem. E tal ação não precisa ser recíproca já que o que se deve considerar é o princípio ético de alteridade.
A relação de intersubjetividade se torna o fator mais importante na interação entre o Eu e o outro. Para que isso aconteça, há também que superar o solipsimo, quer dizer, abandonar a idéia de interiorização do Eu, a negação de tudo que está além de mim e reconhecer que o Outro e não eu que desempenhará o papel principal.

Por fim, temos que considerar também que alguns fatores como o histórico, cultural, social e econômico, por exemplo, contribuirão tanto na construção desse “vir a ser” do indivíduo, como na construção do outro e também na forma em que ambos estabelecerão essa relação de intersubjetividade.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O lance dos caras não é apenas criar um produto e estimular seu consumo, mas sim gerar uma necessidade e apresentar um produto para saciar este desejo.
Fazemos parte de uma lógica de mercado onde uma boa parcela do que cobiçamos é fruto de um condicionamento.

Sabendo disso, no papel de comunicadores e "front" intelectual, não deveríamos ser o caminho para dar uma guinada nesse "mundo ilusões".

Para que continuar olhando para o lado das sobras se sabemos que existe a luz?


[DOCUMENTÁRIO] SER. Reflexões sobre liberdade, o "Eu" e sexualidade embasado nos textos de Jean-Paul Sartre

Vídeo documentário produzido pelos alunos de RTVI (Emannuel Alves, João Izidio, Júlio César e Juliana Lima) em torno da temática do "Ser" embasado nos textos e reflexões de Jean-Paul Sartre.

No documentário em forma de entrevistas, os locutores expõem suas opiniões acerca de temas variados sobre convívio social, liberdade - até onde vai a liberdade, e se a liberdade de um afeta o outro - respeito as diferenças, reflexões em torno do "Eu" e a sexualidade. O material tem 14min39seg e em seus depoimentos apresenta visões diferentes das temáticas apresentadas acima.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Construção da Identidade nacional brasileira




Durante a procura de textos sobre Identidade cultural, encontrei um texto muito interessante chamado Identidade Cultural, Identidade Nacional no Brasil, da socióloga Maria Isaura de Queiroz, e uma parte do texto que me chamou bastante atenção foi a importância de Mário de Andrade e Oswaldo de Andrade para a formação do conceito de identidade nacional que temos até hoje.
A concepção da identidade nacional no Brasil por muito tempo foi difusa, pois muitos intelectuais não acreditavam que uma disparidade de culturas e patrimônios culturais pudessem formar uma identidade forte e determinante. Mas na segunda década do século XX, uma concepção oposta a essa foi sendo pré-estabelecida por ideias consideradas revolucionarias na época. Ideias essas que foram divulgadas por jovens pensadores na chamada Semana de Arte Moderna de São Paulo, em 1922. Os dois nomes que surgiram nesse evento, e que ajudaram a “forjar” uma outra maneira de conceber o problema da identidade nacional, mesmo não sendo cientistas, ou estudantes da área, conseguiram promover uma reviravolta nas maneiras de ver o conceito.
Um dos nomes, Mário de Andrade (1893-1945), conseguiu definir a nossa identidade, nossa “brasilidade” – como ele mesmo gostava de chamar – principalmente em seu livro Macunaíma, onde construiu um herói que reúne ao mesmo tempo as qualidades africanas, aborígenes e europeias, todas semelhantes em valor. Ele com isso buscava demonstrar que a originalidade e a riqueza da cultura brasileira provem da multiplicidade de suas raízes e da mistura de elementos. Essa forma de abordar identidade brasileira era totalmente diferente do que se era afirmado na época. O outro grande nome foi o do escrito e ensaísta Oswald de Andrade (1890-1954). Ele, por sua vez, contribui para a aceitação nacional através da teoria da Antropofagia. Nela, Oswald explica como se opera a fusão dos elementos culturais diferentes, que são “forçados” a se misturar, garantindo originalidade e beleza à “nova cultura resultante”.
O que é mais interessante nisso tudo, é que o resultado do que os dois escritores fizeram, tem elementos que se interlaçam e se completam, e principalmente vão totalmente contra as teorias vigentes dos pesquisadores da época. Com a ideia dos dois, o novo conjunto de noções foram mudando aos poucos a velha maneira de pensar. Mas, claro, sempre existiram críticas desfavoráveis aos autores.